Afinal, o que é investimento?

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Por Victor Hugo Teodoro Ferreira de Sousa*

 

O termo investimento é algo recorrente no dia a dia de muitas pessoas. Em conversas com amigos, em anúncios veiculados em todas as mídias, na internet, na televisão e vários outros locais esta expressão sempre está em pauta.

 

Mas afinal de contas, o que é esse tal de investimento? Será que você realmente sabe o que é investimento?

 

O significado de investimento pode ser entendido de diversas formas. Em um sentido amplo, é tudo aquilo que alguém faz no presente pensando em um retorno melhor no futuro.

 

Como exemplos temos uma pessoa que faz uma faculdade buscando ter uma remuneração melhor após se formar ou, alguém que se dedica à um relacionamento para conviver com outra que possa te proporcionar bons momentos posteriores, e até mesmo um atleta que treina intensamente visando um melhor desempenho no futuro.

 

No entanto, o mais comum, é entender o conceito de investimento no segmento financeiro, ou seja, quando se fala em investimento, já normalmente, fica-se subentendido a aplicação de dinheiro no sistema financeiro buscando auferir ganhos em um momento posterior.

 

Nesse sentido, podemos explicar resumidamente que investimento é dispor do meu dinheiro hoje na expectativa de ter um ganho patrimonial no futuro.

 

Então qualquer dinheiro colocado no mercado financeiro é investimento? 

 

A resposta curta é não …. Mas vamos explicar melhor isso!

 

Primeiramente, temos que ressaltar uma diferença bastante relevante entre investir e poupar. Poupar é ato pelo qual o indivíduo altera seu comportamento, com o intuito de diminuir seus gastos afim de sobrar mais dinheiro. O ato de investir está ligado em como a pessoa vai aplicar os recursos que foram poupados.

 

A partir do momento que o investidor está com os recursos poupados, ele tem que decidir a qual melhor forma de alocá-lo. E, daí, entra o investimento. A maioria dos investimentos financeiros podem ser encontrados em instituições financeiras (bancos/corretoras), as quais apresentam uma vasta gama de produtos que se encaixam no conceito de investimentos como ações, fundos de investimento, CDBs, poupança, entre outros.

 

 Devemos salientar também que investir não é somente sair aplicando o dinheiro sem se importar no modo e em qualquer produto. Todo investimento deve ser planejado, levando em conta fatores como: o perfil do investidor (suitability); os objetivos pretendidos;  a aversão ao risco; a liquidez,  entre outros.

 

E o que não investimento?

 

Existem alguns produtos  vendidos como investimentos que não são, e este é um grande perigo que pode aparecer na hora de decidir o que se fazer com o dinheiro que é poupado.

 

Não podemos nos esquecer que quando falamos em investimento financeiros, este está relacionado ao processo planejado de abdicação de uso presente dos recursos, com uma ambição de maiores rendimentos posteriores.

 

Por isso, alguns produtos que possuem características que fogem a este padrão não podem ser considerados investimentos. Veja os exemplos abaixo.

 

  • Produtos com forte depreciação que geram gastos com manutenção como automóveis e alguns bens de luxo, mesmo estes sendo considerados ativos no patrimônio das pessoas, geralmente têm a tendencia de perder valor ao longo do tempo.

  • Os títulos de Capitalização que são modalidades em que o rendimento é substituído por tickets de sorteios (muitas vezes sem transparência para o  cliente).

  • Os consórcios são financiamentos em que os juros são travestidos de taxas. Apesar de ser oferecida como investimento, suas características não encaixam no conceito trabalhado acima. 

 

Conclusão

 

O investimento pressupõe uma aplicação de dinheiro em uma modalidade em que se pretende um ganho maior no futuro, sendo este um tempo anteriormente planejado, seja ela curto, médio ou longo prazo.

 

Desta maneira, não podemos sair considerando tudo como investimento. O que descaracteriza investimento em uma aplicação são os custos gerados e a depreciação do produto, muitas vezes, corrompendo o valor do capital investido. Por isso, é preciso cuidado e conhecimento para não cair em armadilhas oferecidas no mercado financeiro.

 

Além disso, temos que ter em mente que investir não é só adquirir produtos que encaixam nos padrões citados anteriormente. Avaliar alguns fatores como a liquidez, os riscos, o retorno esperado, o tempo e os ofertantes são aspectos fundamentais para que o investimento não se torne uma dor de cabeça na sua vida.

 

E aí, já consegue saber o que é e o que não é investimento?   

 

*  Victor Souza é Economista e Mestre em Administração com foco em Finanças pela FAGEN-UFU