O otimismo em excesso pode ser uma armadilha para seu bolso
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Por Dany Rogers e Odilon José de Oliveira Neto 

 

Em artigo publicado recentemente, aqui mesmo no Dinheirama, intitulado “Eu sou o culpado dos meus problemas financeiros?”, levantamos uma questão sobre o fato de que tendemos a acreditar que tudo ocorrerá conforme planejamos e, portanto, somente coisas boas acontecerão em nossas vidas, subestimando assim a probabilidade de coisas inesperadas ou ruins ocorrerem.

 

Diante disso, falaremos neste artigo mais detalhadamente sobre as implicações do otimismo irreal e a influência em suas finanças.

 

Precisamos mesmo ser pessoas positivas, pois ser positivo é uma característica importante para o ser humano. Essa “perspectiva positiva” é defendida por Daniel Goleman, prestigiado professor da Universidade de Harvard e um dos mais influentes autores sobre a temática “inteligência emocional”. Ele argumenta que esta é uma competência humana de suma importância para a nossa vida profissional e pessoal.

 

Inúmeras pesquisas comprovam que a maioria das pessoas vê em si própria o mundo e o futuro ao seu redor sob uma ótica consideravelmente mais positiva do que a realidade poderia ser.

 

Adequadamente dosadas, ilusões positivas são benéficas para à saúde física e mental, uma vez que, de certa forma, protege a nossa autoestima e aumenta o contentamento pessoal. E isso contribui para ampliar a capacidade de esforço e persistência em tarefas com alto grau de dificuldade, assim como no enfretamento das adversidades cotidianas.

 

Por mais que sejam benéficas, ilusões positivas podem não condizer com a realidade, o que amplia a necessidade de uma vigilância permanente no contexto das tomadas de decisões financeiras.

 

Assim sendo, não podemos deixar que “perspectivas positivas” façam com que tenhamos um otimismo irreal, o que pode ser bastante prejudicial para as finanças pessoais e/ou familiares, afetando o nosso bolso, tanto no curto quanto no longo prazo e, por consequência, a nossa saúde e qualidade de vida.

 

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Neste momento você deve estar se perguntando: Como ser uma pessoa muito otimista pode me deixar em uma situação financeira ruim? Vamos em busca de explicações.

 

O otimismo irreal é um viés de julgamento que leva você a acreditar que seu futuro será muito melhor e mais brilhante do que de outras pessoas. Esse otimismo faz com que você confie demais no seu sucesso profissional e que o aumento salarial, a promoção e as bonificações serão perspectivas rotineiras em sua carreira.

 

Ao acreditar também que as suas competências e qualificações são indispensáveis para a empresa que trabalha (ou para qualquer outra empresa), isso lhe proporciona uma segurança ilusória de que nunca será demitido, ou que mesmo com uma improvável situação de demissão você teria muita facilidade de recolocação no mercado de trabalho.

 

Assim, ao constatar que seu nível de otimismo colabora para que você pense dessa maneira, ou seja, de forma incompatível com a realidade, você está ligeiramente próximo de cair em inúmeras armadilhas financeiras. 

 

Veja a seguir algumas delas.

 

  • Comprar a tão sonhada casa própria em 20 ou 30 anos com parcelas que representam uma grande fatia da sua renda atual, mais precisamente algo em torno de 40%, por exemplo. Afinal, você terá muito em breve uma promoção, não é mesmo?
  • Não possuir plano de saúde, ou mesmo uma reserva para eventuais necessidades médicas, já que subestima a chance de passar por experiências negativas. Isto é, você nem sequer ousa pensar que uma doença grave possa atingir você, sua família ou outros entes queridos.
  • Não contar com reserva financeira de pelo menos seis meses, o que lhe possibilitaria o básico para seu sustento e de sua família em caso de perda parcial ou total da renda. Afinal, isso não é necessário, pois você acredita que “nunca” será demitido e, no caso dessa improvável ocorrência, conseguiria uma rápida recolocação no mercado de trabalho.
  • Não planejar a sua aposentadoria já que quando chegar esse momento você terá um bom patrimônio e renda assegurada, e isso lhe permitirá que o conforto vivenciado em seu padrão de vida familiar atual esteja garantido.
  • Adquirir em excesso produtos e bens diversos como eletrônicos, smartphones, eletrodomésticos, automóveis e imóveis, via cartão de crédito, cheque pré-datado e/ou financiamentos, em inúmeras parcelas no longo prazo. Como confia demasiadamente que sua renda futura tende só a aumentar, isso não é problema…
  • Usar o cheque especial ou pagar apenas o mínimo da fatura do cartão de crédito: a velha história do “apenas” este mês isso ocorrerá. Essa certeza pode ser fruto do seu otimismo de que conseguirá facilmente saldar essa dívida já no próximo mês.

Diante do grande número de armadilhas financeiras provenientes do excesso de otimismo, é importante que ao verificar alguma delas, seja pela perspectiva futura frustrada de aumento de sua renda, ou pela tomada de consciência sobre as inúmeras dívidas contraídas que extrapolam a normalidade outrora vivenciada, que você pare e reflita racionalmente sobre suas condições atuais e expectativas futuras.

 

Vídeo Recomendado: Como sair das dívidas?

Você pode muito bem estar sendo influenciado por um otimismo que foge totalmente à realidade e, por essa razão, não percebe que essas dívidas são extremamente “pesadas” e impactantes no médio e longo prazo, principalmente caso a sua expectativa de aumento de renda não se concretize.

 

É fundamental você considerar que uma perspectiva positiva pode não se concretizar e que essa situação é absolutamente normal. Não é somente contigo que o futuro projetado ou “sonhado” é diferente do futuro vivido ou “real”.

 

Diante dessas observações, fica a dica do bom e velho manual informal de finanças: não comprometa acima de 30% da sua renda atual com prestações, sejam elas de financiamento de imóveis/automóveis, empréstimos bancários, carnês ou quaisquer outros tipos de dívidas.

 

Com um baixo comprometimento do seu orçamento com dívidas, aumentam-se também as chances de sucesso na sua administração financeira pessoal e familiar, assim como se ampliam as possibilidades de melhoria da sua saúde financeira e qualidade de vida.

 

Dany Rogers (@drdanyrogers) é Pós-Doutor pela UMinho (Portugal), Doutor pela EAESP/FGV, professor e coordenador do Núcleo de Educação Financeira (NEF) na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Casado com a linda Eliane (@achei.beleza), pai da Iasmim e apaixonado por viagens, cinema, conhecimento e novas experiências. E-mail para contato: danyrogers@ufu.br.

 

Odilon José de Oliveira Neto é Doutor em Finanças pela EAESP/FGV e professor da FACES na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). E-mail para contato: odilonoliveira@ufu.br.

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